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segunda-feira, 4 de maio de 2015

J.K. Rowling pede desculpa


A escritora britânica da série Harry Potter pediu desculpas pelo Twitter dia 2 de maio. A data marcava o décimo sétimo aniversário da Batalha de Hogwarts, então ela pediu desculpas pela morte do personagem Fred Weasley.

"Hoje eu gostaria apenas de dizer: Eu sinto muito por Fred"

Ela disse que a cada aniversário se desculpará por um deles e começou pelo Fred por ele ser o mais difícil. Olha, eu tinha um post de sarro que eu ia fazer do Harry Potter, mas ele envolvia umas fotos que eu tinha tirado com o meu celular, e eu perdi o cabinho pra passar as fotos de lá pro computador, então acho que o post nunca será feito, hehe x.x

terça-feira, 7 de abril de 2015

Com a palavra, Neil Gaiman


Caso o titio Joker não tenha sido o suficiente, encontrei um texto completamente traduzido do Neil Gaiman, em uma palestra que ele realizou em outubro de 2013, na cidade de Londres. O criador de Sandman defende a importância das estórias de ficção de forma geral, encaixando muito bem com a discussão que escrevi aqui mesmo há algumas horas. Além dele ser o Neil Gaiman, é claro.

"É importante para as pessoas dizerem de que lado estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.
E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.
Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.
E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.
E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.
Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças entre 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.
Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.
E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. Pessoas alfabetizadas leem ficção.
A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a idéia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar idéias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.
A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.
Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, R. L. Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.
Enid Blyton's Famous Five book Five Get Into a Fix
Não existem escritores ruins… O famoso livro de Enid Blyton. Foto: Greg Balfour Evans/Alamy
É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, porque cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma ideia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.
Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.
Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler R. L. Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).
E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.
Empatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos obcecados consigo mesmos.
Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:
O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.
Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google e perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu.
Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente. E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos, pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.
Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades, conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.
Como J. R. R. Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.
A ilustração de Tolkien da casa de Bilbo
A ilustração de Tolkien da casa de Bilbo, Bag End. Foto: HarperCollins
Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.
Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série deles, eles me ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.
Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.
Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.
Eu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.
Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.
Menino lendo em sua escola
Foto: Alamy
Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.
Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.
Uma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.
Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.
As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.
De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Ingaterra é o “único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis sócio-econômicos e tipo de ocupações levados em consideração”.
Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.
Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.
Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.
Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.
Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.
Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.
Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.
Nós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.
Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.
Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.
Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.
Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.
Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.
Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. “Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender."

Acho que os dois lugares que eu mais habitei na minha infância foram a livraria e a Gibiteca Municipal, preciso nem dizer como assino embaixo. E... ele é o Neil Gaiman.


CONTRATEXTO: O mal de se sentir inteligente lendo Harry Potter e Guerra dos Tronos


Eu vi esse texto sendo compartilhado nas redes sociais umas duas vezes, e fiquei com um monte de coisa na cabeça. Resolvi que valia escrever um texto em "resposta". Se trata de "O mal de se sentir inteligente lendo Harry Potter e Guerra dos Tronos", por Ademir Luiz no site Revista Bula. Você pode conferi-lo no link abaixo:


A não ser que você acesse o blog há poucos dias, deve se lembrar que eu fiquei todo cheio de chilique quando começaram a meter que aqueles filmes do Oscar, como o maravilhoso e inesquecível Birdman, eram mais artísticos que filmes de super-heróis. Como se houvesse qualquer cabimento nessa comparação. Como se o entretenimento correto para milhões de crianças e adolescentes (e jovens adultos) cujos sonhos ainda vivem fosse a trama de um coroa frustrado que até comete suicídio. Julgar o que é e não é arte já é um dos meus pensamentos mais recorrentes há uns bons anos. Desde quando eu era adolescente no Ensino Médio discutia isso com meu amigo Bud (era um cara assustadoramente inteligente, e era sempre bom conversar com ele sobre qualquer coisa), afinal éramos obrigados a ler José de Alencar, e sendo nerds, valorizávamos nosso entretenimento mais que a média das pessoas (isso na época, lá pra 2010, hoje ser nerd é legal). Eu gostava de ir colecionando os argumentos conforme entrava em contato com eles, e me lembro que os principais eram "Batman", "Watchmen", "O Hobbit" e, é claro, "Metal Gear". Mas isso tudo é só pra atualizá-lo do meu histórico pessoal no tema, vamos rebater o texto da Revista Bula, que menciona "Harry Potter" e "Guerra dos Tronos".


Vamos começar pela primeira parte que me incomodou, apesar de muito do que o autor diz no texto ser verdade.

"(...)os volumosos livros que compõem “As Crônicas de Gelo e Fogo” (genericamente chamadas pelos civis de “Guerra dos Tronos”) são divertidos, movimentados e parecem possuir certas pretensões artísticas, detectáveis sobretudo na opção pela narrativa a partir de diferentes pontos de vista. Contudo, apesar de seus inegáveis méritos, a saga de George R. R. Martin se insere em uma tendência que têm se mostrado nociva à formação literária das novas gerações. A tendência de fazer com que o leitor se sinta muito inteligente por estar lendo. Num olhar superficial parece positivo, mas pode ser perigoso."

Essa porcaria de vir dizer o que não é arte. É como se o que é "legal" não fosse arte. Como se fosse errado apresentar elementos fantásticos pra atrair as pessoas a ouvir o que o escritor quer dizer. Como se um dragão tivesse menos mérito literário por ser um dragão, mesmo sendo uma criatura que vive de forma violenta e solitária se preocupando apenas em guardar seus bens materiais e, às vezes uma dama também. Como se não houvesse filosofia no super-herói ser obrigado a usar uma máscara para exercer o seu potencial máximo que a sociedade não permite. É como quando dizem que funk não é cultura. E não serei hipócrita, eu odeio funk, odeio ter que admitir que aquilo existe e faz parte da cultura. Mas as consequências que mais me incomodam são as crianças cada vez mais tendo filhos e pegando DSTs enquanto o McJunior diz pras Juniorquetes chuparem o pirulito dele. Se houver uma pegada crítica do McJunior quanto a essa questão, por favor, me avisem, porque eu interpreto como a celebração de uma situação muito degradante que deveria a todo mundo preocupar. Não é como falar que é trágico ouvir funk e não ouvir música clássica. Mas agora que já me defendi, depois voltamos as consequências, vamos tentar não fugir muito... Depois de dizer que os livros não chegam a ser artísticos, ele falou do leitor se sentir inteligente.

Quem?

Vou usar minha experiência pessoal aqui, mas é porque conheço muita gente que leu "Guerra dos Tronos" e 5x mais que leu "Harry Potter" (eu mesmo li os Harry Potters duas vezes). E... eu nunca vi alguém se achar inteligente por causa disso. Na boa, que afirmação estranha. Não me sinto mais inteligente nem lendo o jornal, nem livros de Filosofia, nem o Hobbit, nem o bendito Watchmen. Já disse um professor de Harvard em uma videoaula de Direito que eu estava assistindo ano passado que "(...)Filosofia é ouvir coisas que você já sabe". O autor do texto parece ler de forma diferente que os jovens, não se trata de ficar mais inteligente, apesar de, é claro, ler ampliar a inteligência. Mas é um pouco mais sensível que isso. Há uma passagem de "1984" do George Orwell, em que ele descreve isso de forma melhor do que eu conseguiria em muitas tentativas:

"O livro o fascinava, ou, mais exatamente, tranquilizava-o. Em certo sentido não lhe dizia nada de novo, o que era parte do fascínio. Dizia o que ele teria dito, se tivesse a capacidade de organizar os seus pensamentos dispersos. Era o produto de uma mente semelhante a dele, porém muitíssimo mais poderosa, mais sistemática, menos amedrontada. Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe."

Acho que deu pra entender, né? Quem nunca se sentiu assim? Quem não acha isso importante? Alguém aí diz que isso não é arte? O sujeito havia dito que a alta literatura expande o universo de pensamento e dar menos valor à "Harry Potter" e "Guerra dos Tronos" é uma questão de maturidade. Próximo ponto então...

Quem aguenta?

Isso retorna a o que eu disse no início da comparação de "Birdman" com os filmes da Marvel Studios/Disney, como Guardiões da Galáxia. Quem lê todos os clássicos intocáveis de vocabulário quase incompreensível são ou professores de Literatura ou pessoas muito tristes que em algum momento se convenceram a lerem o que não querem. Aí a pessoa lê como se estivesse tomando um remédio, e não faltam artigos por aí explicando como isso prejudica a formação de leitores. Todo mundo tem entretenimento de distração. Aliás, a maioria é de distração, independente do grau de complexidade. Não é como se se tornar um intelectual fosse uma pressão da sociedade sobre os indivíduos. Você pode ser burro, vão até gostar. As pessoas leem porque querem. Por prazer. Sendo assim é óbvio que elas lerão o que é prazeroso e foi escrito nos Anos 90 por autores muito competentes justamente para eles. Luiz até afirma que esse entretenimento por entretenimento é importante no seu texto, mas ao mesmo tempo fala como se fosse ficar um buraco enorme nas pessoas por não lerem o que é considerado essencial pelos críticos. Além de fazer um paradoxo, meio que dizendo que "isso é legal, mas nem tanto quanto você diz, você tem que ler essas outras coisas." Bem, eu tenho uma perspectiva meio diferente...

Nada Se Perde, Tudo Se Transforma
A partir do momento que um livro faz sucesso e é lido por milhares de pessoas, ele se torna um pedaço de inspiração pra todas essas pessoas. As que escreverem outras coisas, terão sido influenciadas por esse primeiro livro. Sendo assim, a mensagem não morre, é o fluxo da inspiração. Por mais original que algo pareça, surgiu de algum lugar, e assim vai se transformando. Há um excelente livro sobre isso que eu li ano passado, e mesmo com ciúmes dele vou deixar recomendado pra todos vocês: "Roube Como Um Artista". Um amigo meu me emprestou e é nota 10, acho que eu li em um dia só (tinha acabado de sair da faculdade). É de Austin Kleon e é dessa onda de livros com diagramação completamente criativa, de forma que todo mundo (TODO MUNDO) consegue ler sem problemas pra se concentrar, interessar e etc.


Mas há um outro exemplo pra você conseguir entender sem ter que comprar um livro pra isso. Ano passado uma amiga minha me deu o já mencionado "1984" de aniversário. É um dos livros preferidos dela (se não o preferido), ela sempre recomendava que eu lesse. Eu gostei muito, é realmente assustador, mas lembro de explicá-la como eu já conhecia grande parte do que estava lá. Por que? Porque o livro do Orwell inspirou:


Prefiro não falar muito sobre esse exemplo, mas o nome do programa é referência direta ao livro de ficção.

"Bioshock", que como um jogo de videogame, não duvido que seja considerado um "entretenimento perigoso" por Ademir Luiz. Mas Bioshock mostra uma utopia falida lotada com câmeras, pessoas loucas, discursos sobre alienação, pôsteres opressivos e os personagens "Big Daddy", "Little Sister" e "Big Sister" sendo referências ao sistema "Big Brother" do livro do Orwell. As discussões da trama também se mesclam com "A Revolta de Atlas" de Ayn Rand, uma clássica trilogia literária americana que hoje muitos jovens só vêm a conhecer por causa desse game.


Outro videogame de imenso sucesso, "Fallout: New Vegas". O personagem Mr. House é também inspiradíssimo nas tele-telas e no conceito do Big Brother.

"Metal Gear Solid", não só outro videogame, mas o melhor. No momento da tortura o jogador é colocado na visão de primeira pessoa do personagem, sendo incapaz de movimentar seu rosto enquanto ouve os seus inimigos falarem; similar o bastante com uma das passagens mais marcantes de 1984. O segundo game, "Sons of Liberty" de PlayStation 2 também discute as ideias da "Revolta de Atlas", como Bioshock.

Ou seja, cerveja? Não. Água. Água de buenas, meu amiguinho. Eu havia absorvido a mensagem de duas grandes obras literárias por meio das obras que eles inspiraram. E devo dizer que no caso de Metal Gear e Bioshock, talvez sejam até melhores. Isso porque eu nem falei do "V de Vingança" que eu tinha lido no terceiro ano quando tinha iniciado a minha caçada à obras do Alan Moore depois de ler o Watchmen. Também preciso nem dizer o quanto esse é lotado de explícitas influências.

É claro que ver o filme não faz com que você tenha lido o livro, e também não é a mesma coisa. Por exemplo, se você lê os livros do "Hobbit" e do "Nárnia" há mensagens que não ficaram tão expressas nos filmes. Aliás, principalmente no Nárnia há referências claríssimas aos contos da "Bíblia Sagrada", voltando de novo ao ponto do fluxo de transformação das ideias, como é muito bem explicado em "Roube Como Um Artista". Mas pra terminar isso tudo, acho que posso resumir com um...

Quem liga?

Eu não desprezo nem um nem o outro. Só acho que o autor faz tempestade em um copo d'água. Quantas pessoas não passam a vida sem ler nada?! Mesmo quando não são analfabetos? Eu não acho que o autor do texto esteja errado, só acho que ele foi desnecessário. Quem sai se sentindo inteligente porque leu Harry Potter? Quem sai se sentindo inteligente porque leu 1984? Alguém realmente lê pensando nisso? E mais, que autores hoje não foram influenciados por Shakespeare e por outros autores influenciados por Shakespeare? Brigar contra o tempo é complicado, mas essas comparações não tem cabimento não, sinto muito. Deixe as pessoas lerem e pensarem, no fundo está tudo conectado, não há porque de se estressar. Já dizia um sábio...

"Fiquem com seus documentários de filosofia austríaca, eu vou assistir Vingadores 2 e Batman Vs Superman"

Como ponto final... uma leitura semiótica (onde você procura interpretar a ideia que o autor realmente quer expressar por trás das imagens e das palavras) pode ser feita em todas essas obras, e o público vai decidir se foi importante pra elas ou não. "Chapeuzinho Vermelho", talvez um conto bobinho, quer desesperadamente evitar que as crianças acabem estupradas e assassinadas por confiarem em estranhos. Isso é menos importante que reflexões existenciais? As pessoas tem que ler o que é bom pra elas, oras. É como ser fã de "Vingadores" e ir assistir "Crepúsculo" ou "50 Tons de Cinza", filmes sobre a sexualidade feminina e até onde eu saiba, nada mais. Que utilidade isso vai ter pros marveteiros? Só se for pra tirar um sarro. Vou aproveitar e tirar um sarro também.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Jerusalém deve sair em 2016


O novo livro do Alan Moore deve sair só ano que vem. Em entrevista ao Comics Beat o mestre divulgou que apesar de estar pronta, sua nova obra ainda vai ter que ser editada.

"No momento está terminado, mas eu estou trabalhando na edição. Foi só o primeiro rascunho que eu terminei, mas nós estamos um bocado agitados com isso, e eu tenho que dizer ‘não, vai levar um bom tempo pra editar’ Eu tenho pessoas me ajudando. Mas eu havia prometido que posso tê-lo editado em, eu acho, Novembro, já deve terminado por lá, então 2016 soa como a melhor aposta."

Ele ainda não tinha certeza se acabaria sendo obrigado a dividir em várias edições por causa do tamanho monstruoso de mais de 1.500 páginas que alcançou. Pelo o que ele falou, a ideia atual ainda deve ser um volume único. Já foi confirmado que quem deve lançá-lo no Brasil é a Companhia das Letras. Assim como "A Voz do Fogo", em "Jerusalem" Moore narrará sobre sua cidade-natal de Northampton mesclando ficção e realidade.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Meus 10 Artistas Preferidos

Vou tentar fazer pelo menos um post por dia no feriado, afinal, às vezes não dá tempo, então é bom eu aproveitar o feriado pra escrever bastante, não é mesmo? Pessoal sempre fala que gosta das listas, então fiz uma que meio que ia acabar sendo feita cedo ou tarde, meus 10 artistas preferidos, afinal, vivo escrevendo sobre eles. Tô com um post meio perigoso sendo desenvolvido na minha cabeça, que nem aquele "Os Heróis Tem Que Morrer?" que eu postei no início do ano passado, mas é meio que "pior", no sentido de que as pessoas podem amar, que nem aquele que teve uma excelente repercussão, ou realmente odiarem bastante, então vou ver se publico nos próximos dias, ou penso melhor, por enquanto vou deixar esse Top 10 ;) 


10-Quentin Tarantino


"Se meu pai e minha mãe não tivessem se conhecido, não existiria Bastardos Inglórios."

Desde sempre ele foi um diretor que faz as coisas do jeito dele. Começou o sucesso com aqueles filmes de crime como "Pulp Fiction". Extrema violência, palavrões e diálogos inacreditáveis. Sabe, é meio difícil você se manter tão vidrado em cenas que só tem personagens falando, mas ele não erra de novo e de novo, usa quase a mesma fórmula por todos esses anos, sem perder a identidade e sem cansar. E há um detalhezinho sobre ele que vale a pena ressaltar...


ELE É LOUCO!



Quem pensaria naquelas sequências? Um cara se entregar pros alemães porque pediu a bebida levantando os dedos errado!!! Cara!!! Apesar do pessoal aclamar mais o "Pulp Fiction" e o "Kill Bill", eu preferi os filmes dele que tinham uma contextualização histórica, como o "Bastardos Inglórios" e o "Django Livre". Aliás, foi com o Bastardos que eu realmente virei fã dele, amo tudo no filme, eu já gostei só de ver qual era o título, hehe. Ele é muito inteligente de misturar coisas completamente idiotas e fanfarronas com umas reflexões da hora. E é como se ele simplesmente soubesse o que é legal. O único que achei ruim foi aquele "À Prova da Morte", que nem ele próprio gostou, mas bem, quem nunca erra, certo?




9-Douglas Adams


"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir para o que serve o Universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."

Uma pena que ele tenha morrido jovem, de enfarto, mas esse cara era muito bom. Quando li a "trilogia de cinco livros" do "Guia do Mochileiro das Galáxias", o cara além de ter meu nome escrevia super parecido do jeito que eu gosto de escrever. É GENIAL! E extremamente improvável, como os filmes do Tarantino. Ele criou ótimos personagens, como o robô depressivo-suicida, Marvin e a Random (uma adolescente aleatória). Ele usa conceitos interessantíssimos, só uma parte ou outra que é sem graça, mas isso se irreleva com a quantidade de conteúdo insano que tem nos livros dele. Ele brinca com as palavras e com o que elas significam na estória de uma forma que só ele sabia fazer. Ele era físico e infelizmente algumas partes tem coisas de Física muito técnicas que às vezes nem dá pra entender, mas acaba fazendo tudo parte da identidade dele, que torna os livros tão únicos.


8-Jeph Loeb


"Bem no fundo, na essência Clark é uma pessoa boa. Eu não sou."

Esse cara simplesmente virou referência pra mim. Eu vejo que o gibi é dele, eu vou e leio. Tudo supostamente teria começado quando eu li pela primeira vez "Batman: O Longo Dia das Bruxas". AQUILO ERA BOM DEMAIS! Aí descobri que várias estórias que eu tinha curtido muito no passado, como "Batman/Superman: Inimigos Públicos", "Imperador Coringa", "Hulk Vermelho" e "Batman: Dia das Bruxas" eram todas dele. O cara é super criativo, e para quem lê quadrinhos, ter autores como referência é o melhor caminho para achar mais estórias que você goste. Já ouvi falarem uma coisa ou outra mal dele, mas nunca li algo dele que não tenha gostado, então continua entre os meus preferidos. O legal de ler quadrinhos, estórias de super-heróis mesmo, é que você vai crescendo e eles fazem outras que são mais sérias e dá pra você ir amaturecendo sem deixá-las pra trás. Tipo, o Harry Potter, que manteve o público por 10 anos justamente porque o personagem envelhecia com ele. E o Loeb eu tenho sempre a impressão que escreve estórias que eu poderia dar pra um primo pequeno, ou um tio mais velho, ele faz estórias fascinantes pra todas as idades; se tratando de quadrinhos, acho isso uma habilidade muito importante e valiosa.


Só pelas estórias de mistério que ele fez do Batman, eu provavelmente já o colocaria aí, mas ele também escreve umas só de pancadaria, outras de zuera, algumas extremamente dramáticas como "Homem-Aranha: Azul"... Ele é o cara, hehe.



6-Black Sabbath (Ozzy/Tony/Geezer/Bill)


"Enquanto houver garotos chateados, o Heavy Metal continuará existindo."

Eu acho que realmente seria idiotice dividir um lugar pro Ozzy Osbourne, outro pro Geezer Butler, outro pro Tony Iommi... então já deixei a banda toda. O fato deles serem tão humildes me choca por eles serem tão geniais. A banda foi formada em 1968, na pobre cidade de Birmighan na Inglaterra. O tipo de lugar que você pode ver prédios destruídos por causa de guerra. Eles mesmos dizem que tinham o mundo a ganhar e nada a perder, aí eles viraram o Black Sabbath, fundaram o Heavy Metal. Foram inteligentíssimos de usar temas de terror para atrair as pessoas, já que a fama de satânicos com certeza os ajudou a estourarem junto com a sonoridade louca e pesada que mostrava não ter medo de fazer um PUTA BARULHO.

"Não é porque nos chamamos Black Sabbath que praticamos Magia Negra. Por acaso os Rolling Stones estão relacionados com desabamentos geológicos?"

O letrista Butler nunca cansa de escrever coisas incríveis, como "Paranoid", "Dirty Women", "I" e muitas outras que ele faz até hoje. Todos os membros da banda são inacreditavelmente perfeitos pro que fazem, Black Sabbath parece até uma coisa feita pelo destino.




He-he-he...

6-Ronnie James Dio


"Paraíso e Inferno é onde nós estamos. O Paraíso é quando as pessoas te dizem o quão bem elas vão te tratar, e o Inferno é quando você percebe que 'era tudo mentira, não era?'"

Uma pesquisa mostrou que DIO é a banda preferida do público nerd, isso explica, hehehe. O baixinho inventou os chifrinhos (que já foram banalizados) e se mostrou o maior guerreiro do Heavy Metal. A quantidade de bandas que ele entrou e saiu... E isso NUNCA diminuiu a qualidade e a identidade dos trabalhos dele... por DÉCADAS! Quando já estava velhinho, antes de morrer, continuava mandando muito bem nos palcos. Ele representa o Metal de uma forma diferente que o Ozzy. É como se o Black Sabbath tivesse sido salvo pelo Metal, mas o Dio tem um perfil mais de salvador. Quando eu era adolescente era muito bom ouvir essas músicas, era como se tivesse alguém dizendo "Sabe, eu também acho que tem alguma coisa errada", de forma que o entretenimento muitas vezes acaba fazendo toda a diferença, e o Dio parecia saber perfeitamente isso.



5-Stan Lee/Jack Kirby


"Os super-heróis são como uma versão moderna, uma evolução dos contos de fada."

Mais uma colocação que vale a pena compartilhar. Há muita polêmica quanto a essa dupla, responsável pelo Universo Marvel que conhecemos hoje, e vem conquistando mais fãs que nunca, mesmo após a morte do grande desenhista Kirby. Os fãs ficam putos porque o Kirby tem nem 30% do reconhecimento do Stan Lee, sendo tão vital pro universo literário moderno quanto o velho vovô Lee. Na real é meio que um mandamento nerd. Você não é nerd enquanto ainda não reconhecer que Jack Kirby é o cara, kkkkkkkk. Mas pra mim tirar o mérito do Stan Lee por isso também não é justo. É como o Ozzy Osbourne, ele não escrevia as letras, ele cantava no ritmo da guitarra, mas ele não deixou de ser uma das engrenagens que permitiu ao Black Sabbath funcionar. Muita gente tem raiva por ele ser mais famoso que os outros (como o Dio), mas dizer que ele é inútil já é desmérito, uma coisa não justifica a outra e acho que o mesmo cabe ao Stan Lee.

"Eu nunca imaginei que o Homem-Aranha se tornaria o ícone global que ele é. Eu só torcia para que os gibis vendessem e eu mantivesse o meu emprego."

Eu vejo todas as entrevistas do Stan Lee que aparecem na minha frente desde quando descobri quem ele é, e isso foi quando eu tinha uns 10 anos, ou seja dá mais de metade da minha vida, e graças à Deus, ele ainda não morreu, hehe. Eu nunca vi o Stan dizendo que escreve melhor do que ninguém, ou que as coisas que ele faz hoje são geniais, aliás, ele nunca se desenvolveu muito como escritor, mas sua criatividade foi vital. Ele que teve as ideias pra personagens brilhantes como o Magneto, o Professor X, Demolidor, Galactus e o Homem-Aranha. Aliás, ele fez o Homem-Aranha porque já estava deprimido do editor não deixar publicá-lo (sua melhor ideia) e ia se demitir por isso, aí sua esposa falou "Se é o último escreva o que você quiser, eles não vão poder reclamar", ele pensou... "É mesmo" e fez uma curta estórinha de origem do que se tornaria o Homem-Aranha. Então pra mim o Stan não deixa de ser inegavelmente essencial, à maneira dele.

AI QUE MEDO! Imagina o que o Jack Kirby devia tá pensando, kkk
Infelizmente, Kirby não foi tão reconhecido e dizem que ficou internamente magoado pelo resto da carreira por causa da forma que se frustrou com o que fazia na Marvel. Mas isso infelizmente parece ser muito comum no mercado de quadrinhos, como as próximas duas colocações vão mostrar. De qualquer forma, os personagens deles já devem ter passado por umas cinco gerações, e os últimos anúncios da Marvel Studios indicam que continuarão passando por um belo tempo, ainda bem :) Quando era criança eu lembro que ficava meio que agradecido por ter um entretenimento assim, que me levava a sério e discutia várias coisas sérias e pertinentes mesmo eu sendo só uma criança.


4-Frank Miller


"O herói noire é um cavaleiro em uma armadura sangrenta. Ele é sujo e ele faz o seu melhor para negar o fato que é um herói o tempo inteiro."

Ele simplesmente escreveu a minha estória preferida: "Batman: O Cavaleiro das Trevas". Não sei se eu já falei aqui, mas acho que defini-la como uma obra fascista é limitado e injusto. As estórias de Miller são apaixonantes, aliás, como eu já disse, é a minha estória preferida. Ele é poético, direto, jornalístico, crítico o tempo inteiro em suas maiores obras. Tenho certeza que até a minha morte ele será um dos artistas mais impressionantes que eu tive o prazer de conhecer. Meu pai tinha "O Cavaleiro das Trevas" desde quando eu nasci, e ele não gosta de quadrinhos. Um amigo dele fanático por HQs havia emprestado pra ele ler, pra ele ver quão bom era, mas acabou ficando encostado, porque meu pai simplesmente não gosta. Eu achava aquela capa fora de série! A sombra do Batman contra a do Superman! Aquilo era irado, dava pra ver claramente como era um negócio sério... Mas havia tanto texto! E o traço do Miller era tudo menos atraente. Eu adorava gibis, mas menosprezava o que viria a ser o meu preferido.


Depoooooooois que teve aquele filme em 2008, eu fui me ligar que havia uma HQ grandona do Batman na minha casa que eu nunca tinha lido. DEUS DO CÉU! Batman batendo no Superman, Coringa voltando a ficar louco só porque o Batman voltou, o presidente dos Estados Unidos mais fanfarrão já apresentado, notícias de jornal mostrando o estado caótico do mundo, pessoas perdidas e alienadas, TUDO! Uma obra-prima, não se trata de uma vertente política como fascismo, é a melhor obra de arte de todos os tempos. E tudo mais que eu li dele era muito bom (tirando aquela exceção lá...).

Essa foto é muito irada, mas me pergunto se o Stan Lee já leu alguma coisa do Frank Miller, kkkk
E voltando àquele ponto que eu discuti quando tava falando do Jack Kirby, como a indústria de quadrinhos parece ter prejudicado os meus três artistas preferidos do território. Miller inegavelmente ficou louco, hoje pra mim ele é como um amigo que perdeu o rumo, e eu fico realmente triste por isso. Ele era um gênio e suas estórias mesmo sendo violentas mostravam uma profunda sensibilidade. Me parece que com o "Sin City" e o "300" ele foi perdendo a fé na Humanidade, ou algo do tipo, pois são estórias bem sujas, sem muita esperança. Aí chegamos em... "Holy Terror", uma bela de uma bosta. Tipo... como ele foi parar aí? Dá pra ter uma ideia levando em conta que de tanto o perturbarem, ele fez a sequência "Cavaleiro das Trevas 2", abominando e destruindo tudo que havia na melhor obra dele. Um artista não pode tá bem da cabeça pra fazer isso com seu maior monumento, é provavelmente a coisa mais preciosa pra ele; mesmo tendo ganhado um milhão pra escrever aquela merda, em algum lugar deve ter doído nele. Bem, nas últimas vezes que foi visto, parece que Frank Miller não vai durar muito, ele está com câncer no pâncreas e uma aparência extremamente abatida... :( 


Mas o último filme do Sin City ainda foi irado, hehehehehehe...

"Então eu continuo me perguntando de novo e de novo, o que tornou Chuckie o que ele é? O que estou dando para as pessoas, correndo por aí em látex e socando bandidos? O que eu estou mostrando pra eles? Eu estou mostrando que o bem sempre ganha, que o crime não compensa, que a cavalaria está à caminho, ou estou mostrando que qualquer idiota com punhos pode se virar se for rápido o suficiente e forte o suficiente e mau o suficiente? Eu estou enfrentando a violência... ou a ensinando?"

3-Alan Moore


"Se tolerância e sensibilidade de qualquer tipo é considerado subversividade, então eu me sinto orgulhoso de ser chamado de subversivo."

SURPREEEEEEEESA! Só que não... Junto ao Ozzy, quando eu tinha uns 16/17 anos, Alan Moore foi de suma importância pro meu amadurecimento intelectual enquanto me tornava um adulto. Aquela impressão que tem mais alguém pensando "eu também acho que tem alguma coisa errada com o mundo". Aliás, lembro que fiquei com raiva da escola por não terem me mostrado o "Watchmen". Tipo, VOCÊS CHAMAM ISSO DE EDUCAÇÃO?! Foi o autor que mais se tornou referência pra mim e passa o Frank Miller realmente por muito pouco. Mais ou menos na mesma época eu li "V de Vingança" e então tinha certeza... Esse cara era o melhor escritor de todos os tempos até que me convencessem do contrário. Tanto em livros e documentários quanto nas HQs de heróis, ele usava conceitos profundos, fascinantes e surpreendentes. Uma sinceridade chocante que até o momento fez de 90% da sua obra divisora de mares e atemporal.

"Eu sou Michael Moran. Eu sou um homem velho de 42 anos, eu estou em cima de um telhado e me sinto idiota. Toda a minha vida eu me senti um idiota. Há um monte de gente que nem eu."
Em poucas estórias ele definiu personagens, tornou Superman, Monstro do Pântano e Coringa muito mais profundos do que se poderia imaginar. Aliás, é graças à "Piada Mortal" que o Coringa se tornou essa visão do personagem que é o preferido meu e de muita gente. O vilão que justifica sua maldade argumentando que o mundo não faz sentido, então é claro que ele ficou louco. E o pior... é que ele tem razão. Alan viaja no tempo, brinca com química, música e arquitetura; discute problemas políticos, psicológicos, ambientais, sua obra não tem limites. Eu duvido nada que em séculos o nome dele ainda terá grande relevância. Isso é claro, se a Humanidade não continuar falhando na sua clara tentativa de auto-destruição politicamente correta.


E assim como Frank Miller e Jack Kirby, é triste ver o que a indústria de quadrinhos fez com o genial Alan Moore. Ele deve ter sido o melhor escritor que passou pela DC e hoje velho se tornou um cara amargo que insulta o que ele próprio escreveu em sua melhor época e todos que gostam disso, sem ter qualquer sensibilidade por todos os fãs que formou e inspirou nessa época. Dá pra ver que é rancoroso, mas pô, chega a me dar pena. Parecendo um cosplayer de Gandalf, hoje ele vive recluso na sua cidade-natal de Northampton, casado com Melinda Gebbie, desenhista que ele conheceu trabalhando no gibi pornográfico, "Garotas Perdidas" (olha só...).

E ah é, aproveitando o desenho do Coringa, há um detalhezinho sobre o Alan Moore que vale a pena ressaltar, mesmo dando pra notar só de olhar pra cara dele...


ELE É LOUCO!


Ele não só faz essas estórias com nível único de complexidade, como umas coisas sem noção que chegam a lembrar Douglas Adams e Bryan Lee'O Maley...

"Você vai se matar porque queria ter um nome da hora?"


A última estória dele, "Fashion Beast", provou que sua ferocidade e habilidade continuam às mesmas, mesmo já estando com 60 anos. Agora há um novo livro dele pra sair, "Jerusalém" e ele queria lançar uma série de TV chamada "The Show", mas não sei se vai rolar. Bem, quase tudo que sai da mente dele vale a pena conferir.



Eu ri tanto que até procurei no YouTube, isso aconteceu mesmo! Só não dão zoom na cara dele, kk
Eu não bebo, não fumo, PRECISO DE MAIS TIRINHAS COM O ALAN MOORE!!! e.e

2-Hideo Kojima


"Eu queria produzir filmes, na minha época apenas frustrados estavam entrando no mercado de videogames."

Eu entendo e até concordo que é estranho o Hideo Kojima estar na frente do Alan Moore no top, mas como é um post pessoal (meus 10 artistas preferidos) não me importei. E o porquê disso ser estranho é óbvio, enquanto quase todo mundo que acessa aqui deve conhecer o Alan Moore, talvez quase ninguém conheça o Hideo Kojima. A razão das pessoas não conhecerem também é óbvia; jogar Metal Gear é muito difícil, são muitos títulos complexamente conectados e pegar a manha de jogar também não é uma simples tarefa. Eu comecei quando tinha uns... deixa eu ver... 9 ou 10 anos... eu ainda tinha paciência pra bater com a minha cabeça na parede. Acho que se eu tivesse conhecido Metal Gear hoje, dificilmente teria tempo de me atualizar e acompanhar. E isso acontece porque...


...Metal Gear é de 87. O cara tem dado continuidade à estória e desenvolvido os personagens até hoje. Como ele consegue fazer isso? Porque ele é muito bom? Não. Porque ele é o melhor. Há muitos produtores de qualidade que abandonaram suas franquias, meio que ao estilo Alan Moore e Frank Miller, como os criadores de Final Fantasy e Resident Evil, mas Kojima conseguiu dar a palavra final do primeiro título até o mais atual, de forma que os fãs com certeza ainda não cansaram e na verdade só pedem por mais. Assim como Quentin Tarantino e Charlie Chaplin, tem um dedinho de Kojima em cada detalhe do jogo, ele não só escreve roteiro e diálogos como tem ligação direta com a produção, direção, jogabilidade e etc... Vai entender a capacidade da mente dele, porque o conteúdo dessa série não é brincadeira não, os planos de fundo sempre são as mais sinistras e complexas teorias reais de conspiração relacionadas a conflitos políticos e militares. E é claro, tem um detalhezinho sobre ele que vale a pena ressaltar...


ELE É LOUCO!



Tudo tem mó aparência séria, mas ele coloca umas piadas de doido como os soldados ficarem olhando revistas de mulher pelada no meio da guerra. Assim como o Alan Moore, na verdade até melhor do que ele, ele mistura TUDO, há personagens que parecem vilões do Homem-Aranha, estórias dramáticas e filosóficas, robôs gigantes com formato de animais como aquelas coisas de animés... e mais uma porrada de coisa de louco que nós temos certeza, só poderia sair da cabeça dele. Ele tem outros trabalhos, como "Policenauts" e "Zone of the Enders", mas o mais monstruoso é "Metal Gear", a única série de games que está sendo desenvolvida há mais de 25 anos pelo mesmo artista com um universo em profunda expansão. O quarto título, "Guns of the Patriots"(PS3) foi o mais impressionante, tendo, mesmo que com um excesso de vídeos, finalizado com maestria toda a estória complicada, o que é raro de ver em qualquer lugar.



Muita gente fala que Kojima devia fazer um filme, eu penso... "Por que?"

Toda vez que estão falando de Literatura e Cinema, por mais que eu goste, eu sempre lembro de "Metal Gear" e penso "Putz, que pena que eles não conhecem Metal Gear" porque essa série é uma tremenda obra de arte








1-Alice Cooper


"Nós definitivamente destruímos os hippies e todo aquele papo de Paz e Amor"

Esses dias mesmo eu estava conversando com uma amiga minha que tem uns cinquenta e poucos anos (acho que 52) e ela tava falando "eu fico desacreditada como você gosta tanto de Alice Cooper. Esse cara é da minha época. Ele ainda faz alguma coisa?". Achei isso engraçado, porque eu não só gosto dele, ele é meu artista preferido. Assim como Moore e Kojima, uma excelente referência, vale a pena escavar tudo que ele já fez. Foi o cara que pisou fundo no que as bandas de Heavy Metal estavam fazendo nos Anos 70, tirando o entretenimento de sua zona de conforto, muitas vezes mostrando coisas nem tão agradáveis. Ele mesmo se auto-intitula o "vilão do rock n roll".

Como o Stan Lee, ele é muito criativo, sua discografia e atuações ao vivo passam por tudo quanto é pontos, e ele parece ser bom independente do território, pop rock ou heavy metal, ele sempre é o cara. Por alguma razão ele não é tão popular no Brasil e o público por aqui só conhece algumas músicas dele, bem... azar. Foi a primeira banda que eu não me importei de ouvir álbuns inteiros, o que sempre me cansava. No palco ele mostra um grande dom de interpretação, fazendo vítimas, prisioneiros insanos, serial killers, apaixonados confusos e qualquer outra coisa que precise para transformar suas canções em um verdadeiro teatro. Ele já lançou 22 álbuns, praticamente NUNCA parou de excursionar, e já anunciou que deve lançar mais 2 CDs inéditos, como todo bom roqueiro, só pretendendo parar quando realmente estiver enterrado. Tudo de Alice Cooper é impressionantemente variado, por alguma razão até hoje conheci ninguém mais que também soubesse da tremenda diversidade que ele manteve por décadas. Tinham que fazer um videogame protagonizado por ele! :o







Acho que não preciso dizer que ele é louco... Ele é tipo que o louco original e talz.











Menção honrosa

Bryan Lee'O Maley


Ele é a criatura que escreveu e desenhou "Scott Pilgrim Contra O Mundo", mas como ele teve um tipo de depressão ae e lançou mais nada depois, não entrou no top. O Kevin Smith já leu aquele último "Seconds", mas ele sempre vê as coisas antes... -_- Eu nunca vi pra vender.

P.S.: Achei que ia ser mais rápido... Passei o dia todo escrevendo isso o.O Espero que vocês gostem e tenha valido a pena, hehe.