sábado, 11 de janeiro de 2014

As 10 melhores partes reflexivas de Watchmen


Em dezembro teve uma Comic-Con na minha cidade e lá eu vi um Watchmen completo pra vender por 60 reais. É meio raro ver um Watchmen completo por apenas 60 reais, então eu aproveitei e comprei. Hoje tenho essa fonte ilimitada de inspiração aqui na minha casa então... deu vontade de fazer um post sobre o gibi, o que não é muito fácil pensando em quantos posts já existem sobre o assunto. Como na minha opinião (e até o roteirista Alan Moore já disse isso também) o que faz de Watchmen o Watchmen é como ele trata de diversos pontos de vista de enxergar a realidade, concluí que um top com as 10 melhores partes reflexivas da graphic novel é algo que vale a pena ser feito.


Watchmen foi lançado entre 1986 e 87, em 12 edições, pela DC Comics. Foi feito por Alan Moore (roteiro) e Dave Gibbons (desenhos).



10.
Dr. Manhattan: "Estou cansado dessas pessoas. Estou cansado de estar no emaranhado de suas vidas."
(...)
"Duvido que Rorschach alcance a civilização. Mas, sim, eu entendo. Sem concordar ou condenar, os assuntos humanos não me dizem respeito. Estou de partida para uma galáxia menos complicada."



















9.
Coruja e o Comediante: "Mas o país está morrendo. O que aconteceu com a América? O que aconteceu com o sonho americano?"                         "Virou realidade. Você está olhando pra ele."
"Proteção? De quem nós os estamos protegendo?" Coruja após eliminarem os manifestantes das ruas.




















8.

Coruja: Céus, você parece um cientista louco... Quando essa loucura ia acontecer? Pra quando você planejava isso?
Ozzymandias: "Planejava isso?" Dan, não sou um vilão de cinema. Você acha que eu revelaria meus planos se houvesse a mínima chance de que vocês impedissem sua realização? Eu já fiz isso há trinta e cinco minutos.



















7.

No final, depois de descobrir quem é o seu pai, Espectral vai falar com a sua mãe.

-Eu devia ter te contado... devia mesmo... hã... mas... não sei... Me senti envergonhada... tão estúpida... tão infantil...
-Mãe... Isso não importa. As vidas das pessoas seguem caminhos estranhos. Elas fazem coisas esquisitas e... bem, às vezes não podem falar sobre isso. Sei como é. Eu te amo, mamãe. Você nunca fez nada de errado para mim.



















6.

Diário de Rorschach. 12 de outubro de 1985.

Carcaça de cachorro atropelado encontrada no beco hoje de manhã. Esta cidade tem medo de mim porque conheço sua verdadeira face. 
As ruas são extensões das sarjetas cheias de sangue. Quando os canos dos esgotos se encherem de sangue todos os vermes morrerão afogados.
A sujeira acumulada de sexo e crime envolverá prostitutas e políticos, que voltarão os olhos para cima, implorando... 'salve-nos!'... e eu do alto sussurrarei 'não!'.
Tiveram uma escolha. Todos eles. Poderiam ter seguido os passos de homens bons como o meu pai, ou o presidente Truman. Homens decentes que acreditavam em trabalho honesto.
Ao invés disso, eles seguiram os libertinos e comunistas, e só perceberam que a trilha levava a um precipício quando já era tarde demais. E não me diga que não tiveram escolha.
Agora o mundo inteiro está à beira do precipício, olhando pra baixo no inferno sangrento. Todos aqueles intelectuais e gente de fala mansa... De repente mais ninguém tem nada a dizer.




















5.

O Comediante chega bêbado e desesperado na casa de seu velho inimigo Moloch. Ele começa um monólogo onde reflete sobre a vida

"É piada. Tudo uma piada.
Vou te contar por quê... Tudo começou quando eu era criança e fazia limpeza no porto. Era moleza. O mundo era duro... a gente tinha que ser durão, certo? Mas acabou.
Eu pensava que sabia como era o mundo. Então, eu descobri esta piada... Você é parte disso, Moloch... sabia disso?
Vi seu nome na lista... o seu e o de Janey Slater... mas se eu soubesse que você estava envolvido nisso... eu o mataria, entende? Mataria.
Você lutou contra o gigante azul. Sabe como é a cabeça dele! Ninguém sabe o que o Dr. fará se encherem o saco dele. Ele pode... ele pode simplesmente...
Não. Eu nem quero pensar sobre isso. Você não tem nenhuma bebida aqui?
Eu jamais deveria ter olhado pela janela do avião, naquele momento. Assim, eu nunca veria a maldita ilha e... e... não estaria envolvido... HAH! Te achei seu filho da mãe...

(pega garrafa de álcool, bebe) GLUC. GLUC. GLUC.

BAAH! Que fedor! Tá tudo fedido!

Pensei que eu fosse o Comediante, sabe? Oh, Deus... não posso acreditar que alguém tenha feito isso...
Não posso... Não posso acreditar.

(começa a chorar) Ahuhhh Ahuhh Ahuh Ahhuhhh

Olha só pra mim... Estou chorando. Você não sabe... Não sabe o que está acontecendo. Naquela ilha havia escritores, cientistas e artistas... e o que estão fazendo...
Isto é... fiz coisas terríveis pras mulheres. Matei crianças! Crianças no Vietnã... Mas jamais fiz nada como... como...
Oh, mãe... por favor, me perdoe! Perdão, perdão, perdão, perdão....
Qual é a graça? Qual é a graça nisso tudo? Não entendo! Alguém me explique...
ALGUÉM TEM QUE ME EXPLICAR!"

Moloch define essa como a sua "última performance", já que uma semana depois ele é atirado pela janela. Eu vejo o "Dr./Gigante azul" do monólogo como as bombas nucleares que nós temos fora de nosso controle.




















4.

"Estamos todos sozinhos. Vamos viver nossas vidas na falta de algo melhor para fazer. Nascer do esquecimento. Aturar crianças destinadas ao inferno como nós. Não há nada mais. Existimos ao acaso. Não há um padrão, exceto o que imaginamos. Nenhum significado, exceto aquele que nós impomos. Este mundo sem direção não é delineado por forças metafísicas indefinidas. Não é Deus quem mata as crianças. Nem é a sorte que as esquarteja ou o destino as dá de comida aos cães. Somos nós. Só nós. As ruas estavam tomadas pelo fogo. O vácuo dentro de mim lembrava gelo quebrando. E ele renascia livre para recriar a sua própria forma nesse mundo moralmente vazio. Era Rorschach. Isso responde às suas perguntas, doutor?"





















3.

"Um mundo cresce ao meu redor. Será que eu o estou moldando ou os seus contornos predeterminados guiam a minha mão?" Dr. Manhattan





















2.O Grande Palhaço Pagliacci

Rorschach: "Ouvi uma piada, certa vez... Um homem vai ao médico e fala que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Ele se sente só num mundo ameaçador onde o futuro é vago e incerto. O doutor diz... 'O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade esta noite. Vá vê-lo. Levantará o seu astral.' O homem começa a chorar... e fala: 'Mas doutor... eu sou o Pagliacci'. 

Ótima piada. 

Todo mundo ri. 

Batem os tambores. 

Caem as cortinas."





















1.
 

O enredo central de Watchmen é que Ozzymandias por vias politicamente incorretas evita que a humanidade se destrua em uma Terceira Guerra Mundial. Nisso são assassinados vários inocentes, mas ele salva o mundo. E creio que essa seja a reflexão principal de Watchmen, 'vale a pena todo esse papo de salvar o mundo?'. A incógnita fica com o último diálogo de Ozzymandias e o Dr. Manhattan:

-Jon... sei que as pessoas me acham insensível, mas eu sinto cada morte. Todas as noites... sonho que estou nadando em direção a um... esqueça. Isso não é significante... O que interessa é que eu sei que matei muitos inocentes para salvar a humanidade... mas alguém devia arcar com o peso desse crime terrível e necessário. Eu esperava que você entendesse, ao contrário de Rorschach...

-Duvido que Rorschach alcance a civilização. Mas, sim, eu entendo. Sem concordar ou condenar, os assuntos humanos não me dizem respeito. Estou de partida para uma galáxia menos complicada.

-Mas você retomou seu interesse pela vida humana...

-Sim, é verdade. Acho que vou criar algumas. Adeus, Adrian.

-Jon, espere, antes de partir... Fiz a coisa certa, não foi? No final, tudo funcionou.

-"No final"? Nada termina. Adrian. Nunca termina.

-Jon, ESPERE! O que você quer dizer com...

Apesar da última fala do Dr. Manhattan ser bem famosa por realmente ser legal, vale a pena pensar bastante nela. O que ele quer dizer com 'Nada termina'? Não é uma simples afirmação, ele deixa sugerido, antes de se exilar em outra galáxia, que a luta não terminou, e na verdade nunca terminará. Ozzymandias salvou o dia hoje, mas sempre terá o amanhã. Então que diferença realmente faz o certo agora? Pra onde isso tudo leva? A resposta não é dada, e a dúvida fica com você.




Menção honrosa:
"Quem vigia os vigilantes?"

9 comentários:

  1. Bela reflexão Sr. Douglas, na verdade também me fez refletir..... Não leio HQ, não porque não gosto, mas porque acho que nunca tive oportunidade ou um amigo como você que goste muito (muito mesmo) de ler HQ. Mas me parece tratar de assuntos muito relevantes, me lembrou um pouco de filosofia. Parabéns pela sensibilidade escondida atrás dessa máscara de Sr. Sem muitos sentimentos aparentes...

    ResponderExcluir
  2. belissimo texto e explicações!parabéns!!Marcos PUNCH.

    ResponderExcluir
  3. A história do náufrago, narra um paralelo com a história do Veidt.
    As ações dele prar salvar sua família, no final não resultaram em nada.
    Com a entrega do diário do Rorschach no New Frontiersman, tem chance de ocorrer o mesmo com a trama do Ozymandias.
    A fala final de Jonathan Osterman, dá a entender isso.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente... Acho que essa é a ligação com "nada termina"...

      Excluir
  4. ótima interpretação, não li a hq, só vi o filme ,mas agora deu vontade de ler.

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir