sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Os heróis tem que morrer?


Eu estava com esse texto remoído na minha cabeça já há uns meses, por alguma razão agora achei que era o momento de escrevê-lo. Não tem rolado muita coisa interessante então tem tido menos posts. Sobra mais tempo pra mim, não vamos perdê-lo. A ideia é: "Os heróis tem que morrer?". Costumo escrever vários textos sobre vilões, mas agora vamos variar um pouco.

Solid Snake, herói da série de videogames Metal Gear, enxerga apenas uma forma de terminar a sua carreira no último jogo.

Na minha bagagem literária notei que é comum nas histórias grandes com aqueles sujeitos que resolvem se tornar párias e fazer a diferença (os famosos heróis) não terem muitas formas de terminarem os seus trabalhos sem morrer no final. Mas falo sobre histórias completas, quando o protagonista realmente dedica toda a vida dele ao bem, e não apenas uma ou duas aventuras ajudando os "inocentes" ou as mocinhas "em perigo". E com isso eu acabo pensando, "mas que coisa triste, por que tem que ser assim tantas vezes? Eles não tem o direito de serem felizes?" e esse pensamento foi me intrigando cada vez mais.


E você viu o exemplo de Cristo na cruz logo no início do post, então não me refiro apenas a histórias de ficção, mas também ao mundo real. Você talvez me critique "Mas Doooouglas, meu querido escritor desocupado, qual é o sentido de julgar uma questão do mundo real com histórias de fantasia?" Bem, eu te explico o meu ponto de vista de maneira bem simples. Absolutamente nada surge 100% do nada ou da nossa criatividade, isso não acontece, sempre tem inspiração. Você já tentou escrever uma história? Bem, eu já, e avaliando o que virá à sua mente pra escrever, há absolutamente nenhum acontecimento ou personagem que você crie sem se inspirar em você ou como você seria em uma situação diferente, como gostaria (ou não) de ter sido, ser ou vir a ser e pessoas e elementos não vivos que você conhece, valendo as mesmas variáveis de se inspirar em você mesmo.


Se eu ainda não te convenci permita que eu use um exemplo. Star Wars, é algo que todo mundo conhece (se não conhece, pare de ler, abra uma aba e vá pesquisar no Google). Star Wars quando lançou era magnífico, foi um sucesso inegável, algo que nunca havia sido visto antes. É verdade, se passava no espaço e talz, mas o que daquilo é 100% inédito na sua essência? Nada foi criado do nada. O poder de Palpatine sobre a galáxia é como qualquer regime de governo opressor, o visual de Darth Vader nada mais é do que uma armadura de samurai, os próprios sabres não deixam de ser espadas, só que são feitos de "luz", os uniformes dos soldados, tanto Rebel Troopers, quanto Clone Troopers e Stormtroopers são todos baseados em vestimentas militares reais, armadura, capacete e máscaras de gás. O nome R2-D2 saiu de uma música que George Lucas ouviu tocando na rádio e a Millenium Falcon foi imaginada com inspiração em um sanduíche!


E é claro que essa é a única forma que o universo de Star Wars poderia ser feito, caso contrário a ficção não serial real. E ela precisa ser real. Na hora que você assiste tudo aquilo tem que ser real, se você não se convencer que na galáxia muito distante há muito tempo atrás Luke teria que atirar no núcleo da Estrela da Morte para explodi-la, você não conseguiria se entreter com o filme, com certeza. E o que isso significa? Que todos os elementos de uma história, como essa, a maior história de ficção são feitos com base em elementos da realidade, o que me convence que ambos não são tão diferentes assim, é o ser humano usando a sua imaginação para deixar tudo mais interessante enquanto interpreta a própria realidade. Darth Sidious existe, ele só não solta raios.


Com isso já aproveito pra afirmar que com base nisso, mesmo que você não acredite em Jesus Cristo, você não pode negar a forte presença dele como personagem literário da Bíblia, assim ele também é um elemento bem presente e considerável. Já é hora de voltarmos aos heróis.

"...e no momento que eu notei para onde ele estava indo, já era tarde demais. Conforme ele andava para dentro da luz dourada cegante, ele se virou, olhou por cima do seu ombro. Ele sorriu para mim... Eu nunca vi Superman novamente."
Por que após uma vida de esforços em lutar contra o mal, o herói não pode se unir a esse bem e... dar uma relaxaaada? Hakuna Matata, Bob Marley e afiliados? Será que o trabalho de um herói literalmente nunca termina? Todo o esforço é para fazer que o mundo fique um pouco melhor, mas nunca bom? Voltando ao ponto da aceitação da própria morte; em 1986 a DC Comics resolveu que iria recomeçar as histórias dos seus super-heróis porque eles já eram muito antigos e havia uma nova geração de leitores. Alan Moore foi responsabilizado de escrever "Whatever Happened to the Man of Tomorrow?", que se trata de como seria uma última história do Superman se realmente fosse a última a ser publicada para sempre. Como seria o fim do herói mais famoso de todos os tempos? Eis que Alan Moore (bendito gênio) deixou todos de boca aberta quando ao final da história, após enfrentar todos os seus inimigos, Superman dá um sorriso e decidido entra na câmara com a kryptonita amarela e então, sem super-poderes, caminha na neve até o seu fim.

"Adeus, Superman! Nós sentiremos a sua falta!"
Outro cara que aconteceu a mesma coisa foi o Batman. No mesmo ano dessa história do Superman, foi escrito "O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller, com um Batman já velho, no fim de carreira. Decidido a morrer como Batman e não como um aposentado, o coroa Bruce Wayne volta ao seu manto de morcego para enfrentar o crime, e no final causa o seu próprio ataque cardíaco em uma batalha contra o Superman, chegando a ser enterrado. Mas acontece que no final ele havia apenas forjado a sua morte. Batman e Bruce Wayne estavam mortos, enquanto isso ele criou um grupo secreto com jovens e o velho Arqueiro Verde (também velhinho) para enfrentar o sistema sem que sua existência sequer fosse considerada. Mas o Batman tinha morrido.


E o mesmo rola na história de Superman. No final Alan Moore deixa claro que a morte de Superman na verdade foi inventada para que ele sem super-poderes fosse viver com Lois Lane como um cidadão normal e com um filho bebê. Mas todos acreditavam que o Superman tinha morrido.

"O que você acha?" "O fim..."
Até no filme "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", eles fizeram a mesma coisa, Batman tira a bomba nuclear da cidade e leva todos a acreditarem que isso custou a sua vida. Até os seus amigos acreditam que ele morreu, mas na verdade ele foi lá pra puta que pariu, longe daquela gente, viver com a Anne Hathaway de boas. Esse era o melhor final feliz que ele conseguia, escondido e consideravelmente isolado.


Nessa saída de emergência surpresa ele deixa um texto para que o Comissário Gordon leia no seu enterro.


"Eu vejo uma linda cidade e pessoas brilhantes, se erguendo desse abismo. Eu vejo as suas vidas, para as quais eu dei a minha vida, pacificas, úteis, prósperas e felizes. Eu vejo que eu tenho um santuário nos seus corações e no de seus descentes por gerações a vir. É uma coisa muito melhor que eu faço agora, do que eu jamais fiz. E é para um descanso muito melhor que eu vou agora, do que eu jamais conheci."

Bacana... bacana o Batimá, mas não as pessoas. O mundo é tão ruim assim ao ponto das pessoas extremamente boas que querem fazer uma diferença terem que quebrar as regras e depois se aposentarem em um sumiço mortal?


E aí vamos para Jesus Cristo, o exemplo mais real que temos. SPOILER#DA#BÍBLIA Ele morreu no final, morreu porque queria espalhar ensinamentos de bondade e amor ao próximo. Esse sacrifício fez com que o seu nome continuasse sendo relevante por pelo menos 2014 anos, de acordo com os cálculos mais populares. Poréééééém, o nome de Jesus Cristo virou meio que uma propriedade das Igrejas, utilizado constantemente para os seus interesses de dominação e conquista. Casamento, sexo, todas essas coisas que te tornam humano são negadas por igrejas como a Católica por exemplo, elas fazem de você menos santo. E vale lembrar que o corpo de Jesus Cristo não foi encontrado no seu túmulo no terceiro dia, isso te lembra uma certa história? Ou certas... dos infantis Batman e Superman?


Com isso eu não quero dizer que Batman e Superman façam alusão a Jesus Cristo e os seus autores pensem na Bíblia quando escrevem as suas histórias. O que eu quero dizer é que tanto Alan Moore quanto Frank Miller, tentando usar o máximo de suas habilidades criativas para escrever as aventuras finais dos heróis chegaram a mesma conclusão que Jesus Cristo há 2014 anos atrás. Como párias e messias eles não seriam aceitos nunca e então concluíram que o seu melhor descanso seria a morte, mesmo que uma morte falsa. A ideia de que Cristo "morreu" na cruz não é minha, há diversos estudos de história e ciência, e o espiritismo já fala disso.


Eu acredito no espiritismo porque, sinceramente, eles não falam que você vai pro inferno se não segui-los. As pessoas se identificam com o que é ensinado, usam no seu dia a dia e vão entendendo melhor o mundo espiritual a sua volta. Livros de ensinamentos espíritas são publicados até hoje, não é como se a única fonte de conhecimento moral que você devesse ter fosse a arcaica Bíblia Sagrada. E nessa área de estudos se afirma que Cristo depois de ser tirado da cruz teve as suas feridas tratadas (lembrando que ele era uma pessoa muito mais evoluída e como filho de Deus tinha habilidades de cura fortíssimas) e depois de marcar a História entre antes e depois do seu nascimento ele foi viver de boas com a sua mulher Maria Madalena e a sua suposta filha, assunto cujo qual a Igreja Católica censurou o máximo possível (vide "O Código Da Vinci"). Mas por queeee? Bem, a Igreja quer te convencer que se Jesus era bom era porque ele não tinha uma mulher, não transava com ela e não tinha a sua filhinha, e por que todas essas coisas seriam ruins? Um esforço do caramba pra convencer que homens bons tem que ter uma vida sofrida e limitada. Eles fazem isso há tantos anos para você não notar que Jesus Cristo era um homem como você e você poderia ser Jesus Cristo.

E mais uma vez, os heróis então tem que morrer?

Você só não poderia ser o Batman porque precisaria de muita grana...
Bem, a conclusão é que eles dão o seu último adeus antes da hora sem mostrar arrependimentos, porque é um mundo quase que dominado pelo mal. A ideia de fugir dessa realidade e ir para uma utopia mágica também é bem recorrente na literatura e nos cinemas. Por exemplo, em O Labirinto do Fauno, depois de tudo que tem que fazer, a menina tem como prêmio descobrir que na verdade ela pertence a uma espécie de outra dimensão e lá ela será feliz.


Não tinha como ela ser feliz com aqueles soldados lá cujo grau de relação com a menina eu não lembro exatamente. Isso nunca aconteceria. A mesma coisa acontece em Nárnia, a ideia é que o final feliz na verdade está em outro lugar.


Na letra da música "Into the Void" do Black Sabbath, o baixista/compositor Geezer Butler também mostra uma ideia parecida em uma sequência bem interessante.

"Freedom fighters sent out to the sun
Escape from brainwashed minds and pollution
Leave the Earth to all its Sin and Hate
Find another world where Freedom waits, yeah"

"Guerreiros da liberdade enviados para o Sol
Escapam das mentes alienadas e poluição
Deixam a Terra com todo o seu Pecado e Ódio
Encontram outro mundo onde a Liberdade aguarda, yeah"


"Pass the stars in fields of ancient void
Through the shields of darkness where they find
Love upon a land unknown
Where the sons of freedom make their home
Leave the Earth to Satan and his slaves
Leave them to their future in their grave
Make a home where Love is there to stay
Peace and Happines in every day"

"Passadas as estrelas nos terrenos do vácuo ancião
Pelos escudos de sombras onde eles encontram
Amor em uma terra desconhecida
Onde os filhos da liberdade fazem a sua moradia
Deixam a Terra para Satanás e os seus escravos
Deixam-os para os seus futuros em seus caixões
Fazem um lar onde Amor está para ficar
Paz e Felicidade todos os dias"

Isso prova que não há uma ou duas, mas várias mentes criativas realmente convencidas de que alcançar paz completa na Terra é uma tarefa infinitamente impossível e que se há/haverá uma utopia, não será feita aqui, assim voltamos para a morte dos heróis. O que parece haver é algo implícito no coração das pessoas de que aqui não é um local de Bem, e depois de tentar fazer o seu melhor é em outro lugar que a Utopia existe ou existirá, mas não aqui, é como uma certeza de todos, basta pensarem bastante nisso. E a única forma de realmente sair daqui, é parando de respirar. Quando Cristo "morre" ele não deixa a Terra perfeita, mas deixa o seu melhor, ele não tem como deixar o mundo brilhando sozinho, isso depende do apoio de todos, que indicam não estarem muito afim disso.


A Paz, claramente, não é um estado natural da sociedade. Dá pra ver que o natural do homem é o caos. Mesmo com certas normas estabelecidas, dá pra observar na natureza uma sobrevivência por meio da lei do mais forte e assassinatos em troca de comida e conforto. Então a paz não deixa de ser uma fantasia, algo que realmente está para ser alcançado, por isso os heróis acabam morrendo ou "morrendo" para conseguirem o seu descanso, afinal todos querem descansar do trabalho. Na Bíblia até Deus tirou um dia de descanso depois de terminar a Terra em seis.

E os vilões, tem que morrer?


Não. Os objetivos e conquistas dos vilões são obtidos por meio do medo, de elementos negativos como ilusões e uso de força excessiva. Ninguém tem medo de ser agredido por alguém que já morreu, o reinado deste só dura enquanto vierem outras pessoas ocupar o seu lugar, o que nos casos extremos não costuma rolar... digamos que o mal não é muito inspirador, pois é algo egoísta e pouco produtivo. Não é por nada que nas histórias a Imortalidade é algo procurado apenas pelos vilões, pois tudo que eles conseguiram vai embora junto com eles. Ninguém mais vai dar uma pessoa em sacrifício pro King Kong se ele cair morto na frente daquele monte de índio, vai todo mundo voltar a procurar o que fazer. Apesar de aparentemente haver mais mal do que bem, a luz sempre pode surgir do meio das sombras, já a sombra só surge a partir da luz se afastando.



Morrer como um herói


Fazendo menções honrosas a outros exemplos da ficção, temos o Darth Vader, que depois de tudo (cortar a mão do filho, torturar a própria filha, destruir planetas...) resolve que vai morrer como um herói e nos seus últimos minutos de vida salva a galáxia de sua própria tirania, mas ele havia sido um vilão por tanto tempo! É que ser um herói é duro, como Anakin ele não conseguiu lidar com isso, as decepções, limitações quanto as injustiças, acabou sucumbindo ao mal, mas no fim pula o muro de novo.

"Ou você morre um herói, ou vive tempo o suficiente para se tornar o vilão."
E no momento que Anakin morre, apenas as suas realizações benignas ficam para o futuro, os filhos e a atitude final, de resto não sobra nada. Outro exemplo legal é o Rorschach do Watchmen. Sendo um herói sem super poderes, ele sem avisar pra ninguém manda uma declaração de toda a maracutaia do Ozzymandias e depois de fazer isso é vaporizado pelo infinitas vezes mais poderoso que ele, Dr. Manhattan. Apesar de morrer... ele tapeia todo mundo.


Já o Kira do Death Note pira legal no processo e acaba se tornando um vilão em uma estrada que leva ao seu próprio fim. Nem todos os heróis/messias/párias morrem mais cedo, mas ainda há diversos exemplos provando que muitas vezes o sacrifício é a única alternativa.

Se incendiando em público Bouazizi derrubou vários ditadores.
Eu termino por aqui. Se eu fico com essas coisas todas rodando na minha cabeça? É... fico... não é o tipo de coisa que dá pra discutir muito conversando, mas o Blog é um ótimo lugar pra despejar. Agora vou dar uma saída, tomar um ar... ver um filme, quem sabe achar uma namorada. Até.

8 comentários:

  1. gostei achei bem bacana a ideia.

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  2. Primeiramente , esta frase ficará em minha mente para todo o sempre."Apesar de aparentemente haver mais mal do que bem, a luz sempre pode surgir do meio das sombras, já a sombra só surge a partir da luz se afastando". Olha senhor talentoso, o assunto é bem diferente do que você costuma postar, mas o que mais me surpreendeu é a maneira delicada que abordou isso. Gostei tanto de ler que deu até vontade de ser herói. Sinceramente, além de surpresa estou contente por ter lido isto. Sem querer me alongar muito, quero dizer apenas aquilo que você sempre me diz, obrigada, muito obrigada, porque em tantas palavras boas, não consigo achar nenhuma para descrever o que pensei deste texto. Ma peço um favor, se um dia ( espero muito que isso não aconteça) você parar de escrever no blog, me enviei cartas ou sei lá, mas por favor, não me deixe sem ler suas histórias, suas idéias que com certeza, me abriu uma porta na mente, que deveria estar fechada. Obrigada, obrigada, pela gentileza de passar horas escrevendo na frente do computador, com dor nas costas, para nos dar a alegria de ler algo que em hipótese alguma, poderia ser chamado de apenas palavras.

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  3. Muito obrigado, sinceramente eu escrevo esses textos de forma meio apática, a única coisa que me levanta qualquer emoção é ver que as pessoas gostaram. Muito obrigado.

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  4. Children Of The Grave3 de janeiro de 2014 18:20

    Muito bom o post. Eu estou pensando e acho que depende dos heróis, tanto na ficção, como na vida real se eles merecem morrer. Só eles para saber. Na ficção o escritor decide. E na vida real o próprio herói [ou as vezes não] o que é muito mais complexo. Também já escrevi e escrevo histórias.

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  5. O sr escreveu Ozymandias com dois "Zs", é um erro que eu cometia direto também, embora o final de Watchmen nunca consiga arrancar um parecer definitivo de mim, apesar de cruel, o Ozymandias (lá vem trocadilho) foi... Realista. Haw haw haw. As primeiras vezes que assisti e li, achei ele um maníaco, bem como o Comediante, mas acho brilhante uma parte que o Ozzy diz "Não sei o que fez o Comediante surtar quando descobriu meus planos, uma espécie de inveja profissional, talvez." O Ozymandias realmente me fascina, pela real profundidade dele, por um lado eu acho ele um socialistazinho hipocrita metido a subversivo, porém por outro lado, a capacidade enxadristica dele em enxergar vários anos a frente, bem como ir se preparando, é algo que mexe comigo.

    Nós temos uma visão bem parecida a respeito do que é ficção, é realmente ridículo as pessoas simplesmente quererem desmerecer elas dizendo "Há, isso tudo é fantasia", vai sonhando... Um filme como 2001 mesmo (O livro ta no alvo), uma "ficção absurda" que premeditava quase toda a tecnologia que o mundo teria (pelo menos em massa, já que há teorias sobre liberamento seletivo de tecnologia) nos anos seguintes...

    Eu nunca tinha parado para observar com calma o desenho da galeria de vilões do Batman feito pelo Jim Lee, sempre só via o Coringa... Hoje pude ver todo o resto, inclusive o Batman segurado pelo Silêncio, parece uma coisa boba, mas mostra o quanto minha mente ta desacelerando nessas ultimas semanas, tô reaprendendo a ver os pequenos detalhes da vida.

    Uma ressalva: King Kong do lado dos vilões? Eu vejo bem pelo contrário. Talvez seja eu me guiando pelas aparências. Em suma, o sr estabeleceu o traçado de onde termina a jornada. No final é assim mesmo, cabe se lutar até o fim, ou apenas esperar o fim. Li uma vez aos 13, um livro (que até hoje não terminei de ler, um mal que eu sofro, quase nunca chego ao final de um livro, resultado da minha personalidade esquiva e de multiações) chamado "Guerrilha Noturna". Comprei-o por 1 R$ numa bienal, largado em meio a tantos outros, e não o venderia por 1000. Já na introdução sentenciava:

    "Viver é passar a vida lutando com a certeza de que a ultima batalha já está perdida."

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    1. Ou não está perdida! A Morte afinal faz parte, e um dos fatores do texto é ressaltar o poder dela, como a suposta morte de Cristo que dividiu nossa espécie e nossa História. E quanto à questão do entretenimento/arte/ficção ser bobagem, tenho nem uma palavra, tenho um número:

      1984

      E mais uma coisa sobre isso que você deve achar interessante e vi no final do game "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty" é uma ideia de que do PONTO DE VISTA IDEOLÓGICO, vivemos em uma sociedade censurada que não pode se expressar, muitas coisas só podendo ser ditas por meio de músicas ou livros, sendo assim a ficção seria muitas vezes realidade e a realidade apenas ficção.

      E você parece ter esquecido: Força e Honra ;)

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    2. Ainda não li ou assisti o 1984, mas é um tema sempre recorrente, principalmente nas "Teorias de Conspiração". Já assistiu "Pink Floyd -- The Wall" do Alan Parker? Acho que foi a melhor viagem que consegui na minha vida com uma fita. O filme me acertou em cheio por ser muito autoreferente. Dizem que ele alude 1984.

      Eu nunca joguei nenhum Metal Gear Solid, quando eu vim querer jogos com um conteúdo mais intelectual, eu já não tinha mais vídeo game. Eu tenho um primo (que não falo há anos) que é extremamente inteligente que era fã desse jogo, e coincidentemente de 1984 (livro).

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    3. O lance do 1984 é que o autor George Orwell depois de ter se frustrado com a aplicação do Socialismo simplesmente profetizou exatamente como ficaria a nossa Sociedade, e continuamos marchando para lá. Chega a ser assustador.

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